Streaming de música cresce mais de 60% em 2016 e garante avanço da indústria da música

Texto extraído do Jornal O Globo.
Seguindo a tendência apontada em 2015, o mercado fonográfico mundial cresceu 5,9% em 2016 — informa o relatório divulgado nesta terça-feira pela Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI) e pela Pró-Música. É a primeira vez que o mercado cresce dois anos seguidos desde o início do levantamento, em 1999 — daquele momento até 2014, a indústria experimentou um encolhimento de 40%. Apesar de a América Latina ter sido a região que apresentou melhores números (aumento de 12%), o Brasil teve uma retração de 2,8%.

Segundo o presidente da Pró-Música, Paulo Rosa, o mercado físico tem uma situação difícil hoje.

– O varejo especializado em música é cada vez mais raro. Você encontra uma boa variedade em algumas redes de livrarias grandes, como Travessa e Cultura, mas isso é pouco para o tamanho do mercado brasileiro. O grande varejista, as Lojas Americanas, cada vez tem menos espaço para os produtos de música. E hoje compra basicamente apenas produtos de forte apelo popular — afirma Rosa. — E o varejo de produtos físicos sente uma condição que existe hoje no mercado, de você poder assinar um serviço de streaming por R$ 15 e ter acesso a uma biblioteca de mais de 40 milhões de músicas. Por outro lado, enquanto CD e DVD estão sentindo a força da recessão, vemos várias ofertas em vinil nas lojas por custo bastante expressivo e com um consumo que começa a ser interessante, como já acontece no mercado americano e inglês, por exemplo.

O relatório da IFPI não deixa dúvidas sobre quem é o novo vilão da indústria fonográfica: o “value gap”. O termo se refere à diferença entre o que usuários de serviços como Youtube (de conteúdo gerado pelos próprios usuários) consomem de música ali e o que eles retornam em dinheiro para o mercado. Os números expõem isso claramente: enquanto 212 milhões de usuários de serviços de streaming como Spotify e Deezer geram R$ US$ 3,9 bilhões de receita, os 900 milhões de pessoas que consomem música no Youtube rendem US$ 553 milhões.

O que explica a diferença é uma ferramenta da legislação americana criada em 1998, chamada de “safe harbour” (“porto seguro”). Ela permite que serviços como o Youtube, que não trabalham com conteúdo gerado por ele, não se responsabilizem diretamente pelo que veicula — dessa forma, eles impõem acordos em condições muito menos rentáveis do que os fechados com outros serviços de streaming.

— Segundo o “safe harbour”, serviços como o Youtube não têm responsabilidade sobre o conteúdo até o momento em que são notificados de que ele é irregular. Então ele vai e remove, de fato faz isso. Mas no dia seguinte, algum usuário sobre o mesmo conteúdo e fica esse jogo eterno de gato e rato, de enxugar gelo. Na prática, para os criadores de música, produtores, gravadoras, esse conceito não funciona — acusa Rosa.

Gravadoras, músicos e sociedades autorais já se organizam na União Europeia e nos Estados Unidos para rever o “safe harbour” e definir e definir uma nova legislação que permita acordos melhores para a indústria fonográfica.

Acesse e leia o relatório oficial completo aqui.


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