Inteligência artificial da Google está criando sons que nunca ouvimos

O pesquisador Jesse Engel está tocando um instrumento que tem sons em algum lugar entre um clavicórdio e um órgão Hammond – clássico do século 18, combinado com o rhythm and blues do século 20. Então ele arrasta um marcador em toda a tela do laptop. De repente, o instrumento está em algum outro lugar entre um clavicórdio e um Hammond. Antes, era, digamos, 15% clavicórdio. Agora, está mais perto de 75%. Então ele arrasta o marcador para frente e para trás o mais rápido que pode, mudando entre todos os sons entre estes dois instrumentos muito diferentes.

“Isso não é como tocar os dois ao mesmo tempo”, diz um dos colegas de Engel, Cinjon Resnick, do outro lado da sala. E isso vale a pena dizer. A máquina e seu software não estão colocando os sons de um clavicórdio sobre os de um Hammond. Estão produzindo sons inteiramente novos usando as características matemáticas das notas que emergem dos dois. E eles podem fazer isso com cerca de mil instrumentos diferentes – dos violinos aos balafons – criando inúmeros sons novos a partir daqueles que já temos, graças à inteligência artificial.

Engel e Resnick fazem parte do Google Magenta – uma pequena equipe de pesquisadores de IA dentro do gigante da Internet que constrói sistemas de computadores que podem fazer sua própria arte – e este é seu mais recente projeto. É chamado NSynth, e a equipe vai demonstrar publicamente a tecnologia durante esta semana no Moogfest, o festival anual de arte, música e tecnologia, realizado este ano em Durham, Carolina do Norte, nos EUA.

A idéia é que o NSynth, que o Google discutiu pela primeira vez em um blog no mês passado, fornecerá aos músicos uma gama inteiramente nova de ferramentas para fazer música. O crítico Marc Weidenbaum ressalta que a abordagem não está muito distante do que os maestros orquestrais fizeram há séculos – “a mistura de instrumentos não é nada de novo”, diz ele -, mas também acredita que a tecnologia do Google poderia empurrar essa prática antiga para novos lugares. “Artisticamente, isso poderia render algum material novo, e porque é o Google, as pessoas os seguirão”, diz.

A Magenta faz parte do Google Brain, o laboratório central de IA da empresa, onde um pequeno exército de pesquisadores está explorando os limites das redes neurais e outras formas de aprendizado das máquinas. As redes neurais são sistemas matemáticos complexos que podem aprender tarefas analisando grandes quantidades de dados, e nos últimos anos provaram ser uma maneira extremamente eficaz de reconhecer objetos e rostos em fotos, identificar comandos falados em smartphones e traduzir de uma língua para outra, entre outras tarefas. Agora, a equipe Magenta está transformando essa ideia em sua cabeça, usando redes neurais como uma forma de ensinar máquinas a fazer novos tipos de música e outras artes.

A equipe também criou um novo playground para pesquisadores de AI e outros cientistas da computação. Eles lançaram um documento de pesquisa descrevendo os algoritmos NSynth, e qualquer um pode baixar e usar seu banco de dados de sons. Para Douglas Eck, que supervisiona a equipe da Magenta, a esperança é que os pesquisadores possam gerar um leque muito mais amplo de ferramentas para qualquer artista, não apenas músicos.

Fonte: http://hypescience.com/

 


Inteligência artificial da Google está criando sons que nunca ouvimos

Start typing and press Enter to search