Editorial Marco Mazzola, fundador da DMX Digital Music Experience

Em 2010, percebi que o mercado entrava num momento de grande de transformação. Tínhamos aqui no Brasil apenas 4 players e o download começava a mostrar a que veio. Era um momento de “virada” de modelo da nossa música. Eu sentia uma grande necessidade de fazer uma premiação reconhecendo este momento e os protagonistas do mesmo. Junto com a indústria, comecei a realizar o Prêmio Música Digital, um evento que reconhecia os artistas com maior quantidade de download em vários gêneros musicais. O resultado foi surpreendente. Foram auditadas mais de 9 milhões de músicas comercializadas, enquanto os números que recebíamos do mercado computavam 600 mil. Logo depois, o iTunes chegou ao mercado e com ele, Spotify, Deezer, Rdio, etc.

Hoje, sete anos depois, o mercado sofre uma verdadeira explosão de ofertas, players digitais e formatos. A música começou a ser consumida de todas as formas possíveis e imagináveis, sem distinção de classe, gênero e estilo e está agora ao alcance de todos, com o atrativo da facilidade de consumo e remuneração.

Vivemos no Brasil a segunda revolução da música online, em que temos destaque cada vez maior para serviços de streaming, que oferecem ao cliente acesso ilimitado por uma assinatura mensal. Os arquivos ficam armazenados “na nuvem”, em servidores de internet, sem que as pessoas tenham de baixá-los e comprometer a memória de seus computadores, smartphones, tablets e afins.

O meio musical está se reinventando com todas estas mudanças e pessoas do ramo pensam incessantemente em como melhorar ainda mais a oferta e atrair novos públicos. Foi assim com o CD, o formato MP3, o download e agora o streaming, impactando toda a cadeia musical. A internet surgiu como um grande facilitador, pois possibilita entregar a música com agilidade, em qualquer local que se tenha conexão. Acredito que a internet veio para democratizar cada vez mais a música.

Antigamente, para se lançar um artista no mundo inteiro era necessário fechar acordos com gravadoras internacionais, que envolviam negociações de custos elevadíssimos de fabricação, prensagem e uma equipe comercial gigante. Hoje, players do mercado como Spotify, Deezer, iTunes, Rdio e YouTube substituíram as lojas físicas. Para estar nesses canais basta um acordo com uma integradora e pronto: a música estará disponível para o público em todos os players para mais de 180 países. As rádios que costumavam cobrar “jabás” para que o artista tivesse suas músicas executadas, estão sendo aos poucos substituídas por rádios online. E assim caminha a humanidade.

Mesmo que a transmissão de músicas via streaming entregue uma qualidade de som menor ao consumidor final no caso de plataformas que ainda utilizam o MP3 como modelo de codificação de áudio, já vemos players como o Tidal e Spotify atendendo usuários mais exigentes com a qualidade, abrindo um leque de possibilidades para se consumir música conforme as requisições e capacidades de todos. Ou seja: as mudanças estão chegando à galope, e são bem-vindas, porém devem ser acompanhadas com uma organização do Brasil no sentido de leis e pagamentos.

Enquanto mundialmente as vendas físicas de música caíram 8,1% em 2014, as receitas da área digital cresceram e já representam mais da metade das vendas mundiais. Até 2013, as vendas de mídia física superavam o digital na casa dos bilhões de dólares. Agora tudo mudou, tanto globalmente como no Brasil.

O crescimento das vendas de música em formatos digitais já estava previsto pelo mercado há algum tempo, e a tendência é que esses números aumentem ainda mais. No entanto, as mudanças vêm acontecendo numa rapidez que o mercado não está preparado para acompanhar: desde as formas de divulgação, passando pelo modelo de negócio à rentabilidade. Precisamos todos falar a mesma língua. O artista precisa entender quanto está recebendo, e as gravadoras precisam praticar a rentabilização de forma mais transparente.

Com relação aos direitos autorais, a tecnologia também foi mais rápida que as legalizações. O mercado, artistas, gravadoras, editoras, associações, ainda estão se adequando aos novos modelos de negócios e seus cálculos de rentabilidade das receitas dos direitos digitais. Cada loja online possui uma matemática que não é muito clara e não existem legislações em vigor para regularizar esse sistema ainda. Há muito que se discutir, mas acredito que o mercado esteja empenhado em se unir e encontrar uma melhor solução que seja boa para todas as partes.

O streaming é realidade e futuro. Ele já levou a música digital a superar as vendas de disco no Brasil. Por isso, precisamos discutir, debater e achar as melhores alternativas para acompanhar essa revolução. Foi para isso que nós da MZA Music criamos o DMX Brasil, que em parceria com a GAEL e patrocínio da Estácio de Sá, da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro e da Secretaria Municipal de Cultura, é o maior evento de música digital do mundo. Temos ao nosso lado, todos artistas e profissionais do meio, desde Ivete Sangalo, passando pelos meninos do Skank e Jota Quest, Frejat, chegando até a galera da pesada do Sepultura, e também nomes das antigas, como Ney Matogrosso, Erasmo Carlos, Ivan Lins, Evandro Mesquita, Milton Nascimento. Todos acreditam, assim como eu, que o mercado musical precisa se conscientizar e fomentar a cultura nos meios digitais, abrir os olhos de todos para o que está sendo feito e o que pode ainda ser realizado para que a indústria musical seja que nem a internet: dinâmica, veloz e multifacetada.

Não podemos ficar atrás de nossas cadeiras brigando contra os novos meios. Pelo contrário! Temos que incorporar todas as novas mídias e pensamentos em um único lugar. A proposta da DMX Brasil é trazer luz para este pensamento e acredito que isso seja o que mais motiva e empolga todos os envolvidos no projeto.

Contamos ainda com um concurso de talentos via internet, que surgiu após ver tantos artistas e bandas com trabalhos magníficos no meio digital, mas que por questão de falta de oportunidade para se lançar ao grande público e indústria, acabavam sem visibilidade. Acima disso, me incomodava muito ver festivais e concursos onde se tinha uma enxurrada de covers e versões de músicas já conhecidas se distanciando cada vez mais dos grandes festivais de outrora, quando conhecíamos não só grandes intérpretes e conjuntos, mas grandes canções e compositores.

A filosofia da DMX New Talent é valorizar não apenas quem canta e toca, mas também quem compõe e o principal, a música em si. Queremos descobrir e dar oportunidade para cantores, instrumentistas e bandas, impulsionando-os no mercado de forma profissional e estruturada, visando o resultado final: uma grande canção, um grande hit que marque seu estilo, sua carreira, sua geração.

Por fim, teremos na DMX Conference grandes nomes da indústria fonográfica debatendo todos os pontos colocados neste editorial e muito mais. Também um prêmio entregue neste último dia, a DMX Awards, que conta com categorias inéditas focadas no universo digital. A DMX Brasil será um evento constante. Não queremos parar e vamos nos reinventar sempre. Aguardem!

Marco Mazzola – idealizador e diretor geral da DMX – Digital Music Experience.

 


Editorial Marco Mazzola, fundador da DMX Digital Music Experience

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